Como fazer uma boa descrição do imóvel

11 de Agosto de 2012

Quer esteja a tentar vender sozinho, quer esteja a vender com mediação, você deve preocupar-se com cada detalhe da venda do seu imóvel. A descrição é um desses detalhes. Isto não significa que uma boa descrição, por si só, venda o imóvel. O segredo está em combinar múltiplas e pequenas vantagens.

Então…

Como fazer uma boa descrição do imóvel?

O princípio básico de uma boa descrição assenta num facto indesmentivel de que o potencial comprador que avançar efetivamente para a compra fá-lo por achar que está a fazer um excelente negócio.

Ninguém compra uma casa “mais ou menos” e por um preço “assim-assim”. Você não diz: “quero uma casinha mais ou menos, por um preço altozinho num sítio satisfatorizinho, etc…”

Como fazer uma boa descrição do imóvel

Como fazer uma boa descrição do imóvel

Você diz: “quero uma casa com uma boa sala, numa localização que valha a pena”. Você diz: “quero um T2 que esteja por um bom preço – tem que ser um bom negócio!”.

O segredo é este: quando descrever a sua casa para vender, faça-o a pensar nesse comprador que a vai comprar. A pergunta é: “quem aceitar comprar esta casa fá-lo-á porquê?”

Não há pessoas sem defeitos – homens sem defeitos, mulheres sem defeitos – , não há artistas sem defeitos ou arte sem defeitos. Logo não serão as casas os derradeiros objetos imaculados sem defeitos. Mas há facto incrível, sem pensarmos nele: há homens com excesso de peso que são casados e felizes, há mulheres que não são propriamente modelos e que também são casadas e felizes. Foram as qualidade, e não os defeitos, que atraíram os respetivos parceiros. Nas casas acontece o mesmo fenómeno: as virtudes de cada casa leva a que o comprador aceite avançar para ser o seu novo proprietário. Tolerar os defeitos fará parte da decisão.

Uma casa pode estar com os quartos virados a norte, por exemplo. Em Portugal isso não é geralmente muito apreciado. Logo, para quê salientar esse ponto na descrição em vez de salientar a sala magnífica que a casa tem, por exemplo?

O estar virado a norte pode ser um defeito para uma maioria, mas ser um defeito tolerável para o futuro comprador. E pode até nem ser um defeito. Então, deixe que seja o potencial comprador a verificar esse facto na visita!

A descrição não tem a obrigação de dizer e explicar tudo! A visita é parte do processo de compra!

Se o comprador, que ainda não viu as virtudes da casa, vê salientados na descrição os seus defeitos, não é justo para si, como proprietário, nem para o próprio comprador.

Um descrição que eu não recomendaria seria: “T2 com uma pequena sala, um pequenino hall, com um quarto virado a norte e uma cozinha grande”. Em vez disso, eu escreveria: “Magnífico T2, muito bem localizado, situado num prédio de boa construção, perto de comércio e transportes, etc…”. Naturalmente isto teria que ser tudo verdade.

Há três regras de boa fé que deve ter em conta:

Uma regra vital: o que você escrever não pode ser mentira.

Outra regra importante: o que você escrever não pode ser enganoso.

Por fim: Você pode omitir defeitos, mas não deve omitir um facto que você sabe que é notoriamente condicionante para a compra. Ou seja, algo que você, se estivesse do lado de lá, gostaria de saber antes de aceitar fazer a chamada telefónica para fazer a marcação. Por exemplo: se uma das assoalhadas não tem janelas essa é uma omissão que não deve fazer se considerar essa assoalhada como estando a contribuir para a definição da tipologia. Por exemplo, se um T2+1 for na realidade um T3 com uma divisão interior, você sabe que esse facto é demasiado limitativo e deve mencioná-lo na descrição caso decida designar o apartamento como sendo um T3. Se estivesse do lado de lá, jamais de lembraria de perguntar se todos os quartos têm janelas. É uma questão também de bom senso.

Utilize adjetivos que valorizem mas que sejam pertinentes

Um T2 será sempre um “magnífico T2” para quem o comprar. Se não for “magnífico” o comprador não o comprará. Assim, veja o imóvel como quem vê a beleza numa pessoa. Saliente o que o imóvel tem de bom e coloque adjetivos aí sem constrangimentos. Por exemplo, se um apartamento estiver todo velho e para remodelar, você pode escrever: “T2 com um excelente potencial, numa localização soberba, para poder remodelar a seu gosto.”. Se é para remodelar, naturalmente não se pode dizer que tem bons acabamentos. Mas há quem procure apartamentos para remodelar a seu próprio gosto. Ora, é para essas pessoas que nós vamos descrever os nossos imóveis.

Os adjetivos “grande”, “enorme” e todos os seus sinónimos podem ser utilizados sempre que conheça bem a comparação que está a fazer. Mas, neste caso é preferível colocar as medidas. Por exemplo, uma sala de 50 m2 no centro de Lisboa é, comparavelmente “uma sala grande”. Mas o que é grande para mim pode não ser para si. Neste caso eu escreveria: “Apartamento com áreas bastantes generosas das quais se salienta a sala, com 50 m2”. Assim, o potencial comprador saberá o grande que é.

Por fim, o preço é uma característica do imóvel a partir do momento em que este esteja no Mercado. E você pode (e deve) usá-lo sempre que o motivo de compra seja o preço. Você pode escrever: “Magnífico oportunidade de investimento – apartamento com localização soberba no centro de Lisboa, para remodelar a gosto”. Ou pode ir mais longe e falar com o leitor: “Procura um imóvel por um excelente preço para poder investir em segurança? Apresento-lhe este magnífico T4 localizado num prédio de excelente construção, com áreas muito boas e uma exposição solar muito apreciada (Nascente-Poente)”.

Em resumo, seja direto, seja verdadeiro e não seja enganoso, mas não saliente os defeitos desnecessariamente. Dirija o seu texto à pessoa que vai comprar o apartamento que você ainda não precisa de saber quem é.

A descrição é apenas um detalhe de todo o processo mas pode ser importante e não há necessidade de perder essa vantagem por negligência ou por desconhecimento. Se não estiver seguro sobre este assunto, confie na mediação – os profissionais estão treinados para descrever a sua casa da forma mais eficaz possível. Se tiver dúvidas, ligue-me!

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Sobre o Autor ()

Actualmente trabalha como agente imobiliário, em Portugal. Formado em Engenharia Técnica de Eletrónica e Telecomunicações. Estudou Marketing na Universidade Politécnica de Madrid (CEPADE). Webmaster do site www.milfontes.net.

Comentários (2)

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  1. Rosemary Gouthro diz:

    How can I get old records, around 1971 of land. My grandfather left 21 parcels of land to the family…I don’t know what happened to the land and don’t know where to start. I speak some Portuguese but not fluent. I only have a “Processo de Liquidacao do Omposto sobre as Successoes.” Land in Ribeira Brava.

    • Hello,
      On that document that you have there must be some important data that you may use to locate those properties. I suggest that you hire a law professional (an attorney) that may help you regarding all the legal requirements to get those properties back into your control.

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