Como poupar dinheiro evitando comissões bancárias

14 de Janeiro de 2013

Este artigo é útil para quem é proprietário de um imóvel, mas também para qualquer pessoa que tenha uma conta bancária.
Todos nós, os que temos contas em bancos, estamos sujeitos a uma “erosão natural” muito subtil, mas com grande impacto, que tem a ver com as pequenas comissões aplicadas mensalmente.

Os clientes dos bancos nutrem muitas vezes muita hostilidade relativa aos bancos em geral por causa destas práticas. Refiro-me às comissões de transferência bancária, comissões de inatividade da conta, comissões de saldo médio abaixo de um determinado nível, etc… A estas comissões somam-se sempre o respetivo imposto de selo, o que agrava ainda mais.

As pessoas não têm, normalmente, grande compreensão sobre o teor destas taxas, porque é que são aplicadas e se podem evitá-las. Na verdade, as pessoas nem sequer confrontam estes assuntos muito bem, limitando-se a deixar fugir entre os dedos uma parte do que andam a tentar aforrar.

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Neste vídeo explico qual deve ser a postura mais sobrevivente quanto a este assunto. De nada vale sentir hostilidade ou falar mal dos bancos. O que há que fazer é aprender, um a um,  todos truques para evitar cada uma das comissões normalmente aplicadas.

Ora então …

Como poupar dinheiro evitando comissões bancárias?

Perguntando! Aprendendo! Lendo o preçário! Agindo!

Quem melhor do que o nosso gestor de conta para nos explicar o que muitas vezes não conseguimos compreender nos preçários, nos contratos de letra miudinha, etc… ?

Então, usemos o nosso gestor de conta! Não tem gestor de conta? Não faz mal! O senhor do balcão também serve.

Salvo alguma eventual exceção, cada uma das taxas aplicadas pelos bancos (aqueles pequenos valores negativos que aparecem no extrato de conta) tem uma contra-medida que o previne na totalidade, ou o reduz substancialmente.

Por exemplo, uma transferência bancária feita numa caixa de multibanco pode ser de custo zero. A mesma transferência feita no balcão pode custar, por exemplo, 1,5€, ou até mais. Neste caso a nossa política de poupança é simples: fazer as eventuais transferências através das caixas de multibanco.

Há bancos que não cobram por um pequeno número de cheques. Há os que não cobram por quase nenhuma das coisas que outros cobram. Há que tomar decisões e eventualmente mudar de banco. Porque não?!

A regra é simples: onde os banco têm que ter intervenção humana, normalmente tendem a imputar esses custos ao cliente.

Por exemplo, há bancos nos quais as transferências através da Internet são cobradas. Pode parecer um valor baixo. Isoladamente é um valor baixo. Mas se somar todos estes valores baixos, vai ver que não é um valor assim tão pequeno. A explicação é que a Internet é um meio muito sujeito a fraudes. Assim, segundo nos foi explicado, muitas vezes as transferências, apesar de serem feitas no site do banco, acabam por requer uma supervisão humana. E onde há humanos, há custos e logo, comissões bancárias.

Os preçários dos bancos podem nos parecer difíceis de interpretar e uma seca … Mas, perder dinheiro negligentemente dificilmente pode ser considerado algo aceitável. Logo, o melhor mesmo é aprender como são as coisas.

Conhecimento é poder!

Nós habituámos-nos a não dar grande atenção às pequenas comissões bancárias aplicadas, às anuidades, etc… Mas com a Troika, a Austeridade e a Crise, será uma boa ideia começar a olhar para este assunto.

A regra é simples, poupe tostões a cada dia e ao longo da vida vai sentir a diferença. Podem não ser milhões, mas centenas ou milhares são de certeza.

Ideias simples para aplicar dinheiro para poupar de imediato

Leia cuidadosamente o preçário do seu banco. Se não o encontrar facilmente, peça-o no balcão do seu banco.

Encontre no preçário o que se aplica ao seu caso. Esclareça com o seu gestor de conta cada um dos custos. Peça-lhe que lhe dê uma solução para se livrar de cada um deles.

Minimize o número de cartões de crédito. Centre-se na forma de se livrar da anuidade. Se o seu cartão de crédito não lhe permitir livrar-se da anuidade, livre-se do cartão. Por exemplo, se a regra for que a anuidade seja gratuita para um determinado número de pagamentos com esse cartão, veja a melhor forma de fazer esses pagamentos sem recorrer ao crédito do cartão. Se tiver dúvidas, peça ajuda ao seu gestor de conta.

Verifique qual a forma de fazer transferências a custo zero. Se for no multibanco, prefira sempre esse modo de transferir dinheiro.

Talvez seja preferível minimizar o seu número de contas bancárias. Torna-se tudo mais fácil de gerir e assim também minimiza a possibilidade de ser taxado sem controlo.

Explore cada possibilidade que o seu banco lhe der para poupar dinheiro. Eles costumam gostar que domicilie pagamentos. Veja com o seu gestor de conta quais as vantagens e siga em frente.

Esteja atento aos seus extratos bancários para encontrar débitos de despesas que ainda não tenha conseguido evitar. Peça mais uma vez ajuda ao seu gestor de conta para lhe sugerir uma solução caso a caso.

Os seguros de saúde associados ao crédito habitação

Se tiver um empréstimo imobiliário num banco, provavelmente o banco persuadiu-o a ter um seguro de uma companhia do grupo desse banco. E provavelmente, no contrato de empréstimo o spread tem alguma bonificação por causa desse seguro.
Estude a possibilidade de mudar o seguro para outra companhia. Neste caso, o seu gestor de conta será eventualmente demasiado parcial para o aconselhar devidamente. Neste caso, um bom mediador de seguros poderá fazer um melhor trabalho para si. Escolher um seguro fora do grupo a que pertence o banco pode agravar-lhe o spread ou obrigá-lo a subscrever um produto substitutivo (um cartão de crédito, por exemplo). Por isso, há que ser muito prudente ao dar este passo. O mediador de seguros tem que ser um profissional muito sério e conhecedor deste assunto.

Assim que tiver a solução que lhe permita reduzir os custos mensais, reveja tudo muito bem para não ter problemas com o seu banco.

A ideia é simples: recolha os dados, faça bem as contas e verifique tudo. Se ficar a poupar alguns euros por mês, avance!

Enfim, acho que já entendeu a ideia.

Espero ter podido contribuir para que poupe este ano muito dinheiro!

Filed in: Dicas

Sobre o Autor ()

Actualmente trabalha como agente imobiliário, em Portugal. Formado em Engenharia Técnica de Eletrónica e Telecomunicações. Estudou Marketing na Universidade Politécnica de Madrid (CEPADE). Webmaster do site www.milfontes.net.

Comentários (4)

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  1. Marcos Cardoso diz:

    Caro Dr. Eliseu
    Acompanho com interesse os seus valiosos artigos e gostava de lhe fazer uma pergunta. Tenho uma PME e pago mensalidade e taxas para dispor de uma máquina multibanco para os clientes, ou seja, um terminal para cartões. A minha questão é, haverá sistemas gratuitos igualmente fáceis de se utilizar? Por ano, gasto quase mil euros neste sistema. Acho um abuso.

    Agradecido

    Marcos

    • Caro Sr. Marcos Cardoso,

      Sugiro que consulte vários bancos para ver quem lhe pode proporcionar as melhores condições. Havendo um TPA que lhe é colocado na sua loja, é natural que lhe seja cobrada alguma coisa. No entanto, há concorrência nesta área e os diferentes bancos podem cobrar diferentes níveis de comissões. É nessa diferença que o Marcos pode poupar muito dinheiro.

      O Marcos já tem um histórico da sua faturação. Com base nesse histórico poderá facilmente simular os custos em função dos vários formatos de condições propostas.

      Pessoalmente não conheço este serviço fornecido gratuitamente. Se entretanto, o Marcos tiver conhecimento de algum serviço desse género, agradeço que partilhe connosco. Fica também o desafio para qualquer outra pessoa que leia este artigo. 🙂

  2. Alexandra Cristina Fernandes diz:

    Tenho um crédito habitação c/ seguro afecto.Mensalmente, são-me cobrados 16 euros e tal.Contudo, no final do ano, entre Outubro e Dezembro, cai uma prestação de 70 e tal euros, também cobrados pela companhis de seguros. Isso é legal?
    Muito obrigado, Cristina

    • Cara D. Cristina,
      Eu não lhe posso dizer se é legal ou não porque não conheço a sua apólice e porque não lhe posso dar aconselhamento jurídico.
      No entanto, posso dar-lhe aconselhamento de “bom senso”, de cidadão para cidadão. 🙂
      A primeira coisa a fazer sempre nestas situações é falar com eles! A pergunta é esta: “Onde é que está escrito?”. É uma das perguntas mais poderosas no relacionamento com qualquer prestador de serviços. Onde é que está escrito que podem cobrar os valores que estão a cobrar e quando estão a cobrar? Se eles o estão a fazer é porque: a) consideram legal ou b) é um lapso. Então eles que lhe provem que é legal. A Cristina tem esse direito, com cliente e como cidadã.

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